Formação Ferrífera Bandada

FORMAÇÃO FERRÍFERA BANDADA

As formações ferríferas bandadas (BIFs) são rochas sedimentares quimicamente precipitadas compostas por uma alternância de finas camadas (na escala de milímetros à centímetros) coloridas vermelhas, amarelas, ou creme, camadas de chert ou jaspe e óxidos de ferro pretos à cinzas escuros (predominantemente magnetita e hematita) e/ou camadas de carbonatos de ferros (siderita). Essas formações tem mais de 15% de ferro sedimentar e são de interesse econômico pois elas hospedam os maiores depósitos de ferro do mundo além de muitos depósitos de ouro.

Formação ferrífera bandada

Formações ferríferas bandadas do tipo Algoma foram depositadas como sedimentos químicos junto com outras rochas sedimentares (como as grauvacas e folhelhos) e vulcânicas dentro e adjacente a arcos vulcânicos e centros de expansão. O ferro e a sílica são derivados de fontes hidrotermais associadas a centros vulcânicos. Essas formações ferríferas tipo Algoma são comuns em greenstone belts arqueanos, mas também ocorrem em rochas jovens.

As formações ferríferas bandadas do tipo lago superior são precipitados químicos na plataforma continental marinha e em bacias rasas. Elas são comumente interacamadadas com outras rochas sedimentares ou vulcânicas como folhelhos e tufos. A maioria das formações ferríferas bandadas tipo lago superior foram formadas durante o paleoproterozoico entre 2,5 e 1,8 bilhões de anos atrás. Antes disto, a atmosfera e os oceanos da Terra primitiva tinham pouco ou nenhum oxigênio livre para reagir com o ferro, resultando em altas concentrações de ferro na agua do mar. O ferro pode ter sido derivado do intemperismo de rochas ricas em ferro, e transportado para o mar como solutos de Fe2+ na água.

Dropstone em formação ferrífera bandada

Alternativamente, ou em adição, ambos o ferro e a sílica podem ter sido derivados de magmatismo submarino e atividade hidrotermal. Sob condições marinhas rasas e calmas, o ferro na agua do mar combinado com oxigênio liberado durante a fotossíntese realizada por Cianobactérias (algas azuis e verdes primitivas, que começaram a proliferar próximo da superfície da agua no paleoproterozoico) precipitaram magnetita (Fe3O4), que afundou no assoalho oceânico formando uma camada rica em ferro.

Foi proposto que durante períodos que haviam grandes concentrações de oxigênio (mais do que necessário para ligar o ferro com a agua do mar) devido uma abundância de algas azuis e verdes, estas algas teriam sido destruídas e reduzidas em números levando a um temporário decréscimo no conteúdo de oxigênio da agua do mar.

Quando a formação da magnetita foi impedida devido a redução da quantidade de oxigênio na agua do mar, uma camada de sílica e/ou carbonato foi depositada. Com o subsequente reestabelecimento das Cianobactérias (e então a retomada de produção de oxigênio), a precipitação de ferro recomeçou. Repetições deste ciclo resultaram em deposições de camadas ricas em ferro e sílica ou carbonatos. Variações na quantidade de ferro na agua do mar, devido a mudanças na atividade vulcânica por exemplo, podem também ter levado à ritmicidade das camadas.

A grande extensão lateral das finas camadas implica que mudanças no conteúdo de oxigênio e ferro da agua do mar são regionais, e necessita de condições de deposição calmas. Camadas ricas em ferro e sílica, originalmente depositadas como géis amorfos, são subsequentemente litificadas para formar as formações ferríferas bandadas. A distribuição das formações ferríferas bandadas tipo lago superior de mesma idade dos crátons pré-cambrianos do mundo sugere que elas gravam um período de mudança global no conteúdo de oxigênio na atmosfera e oceanos da Terra. Assim como, a grande abundancia de plataformas calmas e rasas no mundo, onde os tapetes de cianobactérias floresceram e as formações ferríferas bandadas foram depositadas, podem implicar em uma subida global do nível do mar.

Os carbonatos em formações ferríferas bandadas podem ser substituídos por sílica durante a diagênese ou deformação. O pronunciado acamadamento em formações ferríferas bandadas podem ser mais acentuadas durante a deformação por soluções de pressão; sílica e/ou carbonatos são dissolvidos e óxidos de ferro como a hematita podem cristalizar ao longo de superfícies de soluções de pressão (estilólitos).

BIFs constituem rochas altamente anisotrópicas. Quando encurtadas paralelamente ao seus acamamentos, elas se deformam formando dobras angulares e arredondadas (kink bands) e dobras em caixa. Dobras em formações ferríferas bandadas são, tipicamente, cônicas e com duplo mergulho. As formações ferríferas bandadas podem interagir com fluidos quentes canalizados ao longo de falhas e horizontes mais permeáveis, como os de dolomita, durante a deformação, podendo remobilizar grandes volumes de sílica, resultando na concentração do ferro. Microplacas de hematita podem também cristalizar em sítios de controle estrutural como charneiras de dobras e ao longo de falhas de descolamento.

Formação ferrífera bandada

 

Se há um enriquecimento suficiente, um corpo de minério de ferro é formado. O ferro pode também ser lixiviado, redepositado e concentrado durante o intemperismo formando depósitos minerais de ferro supergênico. Crescimento de quartzo fibroso e de minerais como a crocidolita (um anfibólio, também conhecida como riebeckita asbertiforme) comumente ocorre em formações ferríferas bandadas durante a deformação devido a dilatação entre as camadas, especialmente em planos axiais de dobras. Remobilização de crocidolita por sílica produz um cintilamento marrom, amarelo e laranja “Olho de Tigre”, o qual é usado em joalherias e para usos ornamentais.

Formação ferrífera bandada

Fonte: World of Earth Science, ©2003 Gale Cengage. All Rights Reserved. 

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2 comentários

  1. FERNANDES-MOCA, J.M. em agosto 18, 2018 às 8:16 pm
  2. José Manuel em agosto 18, 2018 às 9:07 pm

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